O milagre eucarístico de Montserrat nos leva a refletir sobre a realidade do purgatório e nos lembra que toda Missa tem um valor infinito porque faz presente em nossas mentes o sacrifício único de Cristo sofrendo no Calvário. Esse prodígio eucarístico é relatado pelo sacerdote beneditino R.P. Francio de Paula Crusellas, em seu texto, Nova História do Santuário e Mosteiro de Nossa Senhora de Montserrat.

Em 1657, o Reverendíssimo Padre Dom Bernardo de Ontevieros, Geral da ordem beneditina na Espanha, e o Abade Dom Millán de Mirando, chegaram ao Mosteiro de Nossa Senhora de Montserrat para participar de algumas conferências. Durante uma das conferências, uma mulher e sua jovem filha apareceram, e a filha começou a suplicar ao Abade Millán de Mirando para celebrar três Missas em memória de seu pai falecido, convicta de coração que com essas Missas a alma do seu pai seria libertada das dores do purgatório. O bom abade, comovido às lágrimas pela jovem, começou a celebrar no dia seguinte a primeira Missa de sofrimento, e a menina, presente com a mãe, confirmou ter visto seu pai ajoelhado, cercado por chamas assustadoras, ao pé do altar-mor durante a consagração. O sacerdote e o Geral, duvidosos, pediram à menina que colocasse um lenço próximo às chamas que cercavam seu pai para verificar sua história. Seguindo o pedido, a menina colocou o lenço no fogo, que só ela podia ver, e o lenço começou a queimar com uma chama viva.

Durante a segunda Missa a menina confirmou ter visto seu pai vestido com um traje de cores vibrantes, em pé ao lado do diácono. Na terceira Missa, o pai apareceu à filha vestido com um traje branco como a neve. Assim que a Missa terminou, a menina exclamou: “Lá vai meu pai subindo e ascendo ao céu!” A menina então agradeceu à comunidade dos monges em nome de seu pai, como ele havia lhe pedido. Estavam presentes o Reverendíssimo Geral da ordem beneditina na Espanha, o Bispo de Astorga e numerosos cidadãos da cidade.

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