A história de Santa Clara, Virgem, conta vários milagres realizados por Santa Clara. Existem episódios de multiplicação de pães, de garrafas de óleo que apareceram no convento quando antes não havia nenhuma. Mas Clara realizou o mais famoso dos milagres em 1240, numa sexta-feira de setembro, quando afastou um ataque de soldados sarracenos que haviam invadido o claustro do convento mostrando-lhes a Sagrada Hóstia.
A história é assim: “Por ordem imperial, regimentos de soldados e arqueiros sarracenos foram destacados ali, reunidos como abelhas, prontos para devastar os acampamentos e tomar as cidades. Certa vez, durante um ataque inimigo contra Assis, cidade amada do Senhor, e enquanto o exército se aproximava dos portões, os ferozes sarracenos invadiram San Damiano, entraram nos limites do mosteiro e até mesmo no claustro das virgens. As mulheres desmaiaram de terror, as vozes tremendo de medo enquanto clamavam à sua Mãe, Santa Clara.
Santa Clara, com coração destemido, ordenou que a levassem, doente como estava, até os inimigos, precedida por um estojo de prata e marfim onde o Corpo do Santo dos santos era guardado com grande devoção. E prostrando-se diante do Senhor, falou com lágrimas a seu Cristo: ‘Eis-me aqui, meu Senhor, é possível que queiras entregar nas mãos dos pagãos as tuas servas indefesas, que eu ensinei por amor a ti? Rogo-te, Senhor, protege estas tuas servas que agora não posso salvar sozinha.’ De repente uma voz como de criança ressoou em seus ouvidos vindo do sacrário: ‘Eu sempre te protegerei!’ ‘Meu Senhor’, acrescentou, ‘se for tua vontade protege também esta cidade que é sustentada pelo teu amor.’ Cristo respondeu, ‘Ela terá que passar por provações, mas será defendida pela minha proteção.’ Então a virgem, erguendo o rosto banhado em lágrimas, confortou as irmãs: ‘Garanto-vos, filhas, que não sofrereis mal algum; apenas tenhais fé em Cristo.’ Ao ver a audácia das irmãs, os sarracenos se assustaram e fugiram pelas muralhas que haviam escalado, desanimados pela força daquela que rezava. E Clara imediatamente repreendeu severamente aqueles que ouviram a voz que mencionei acima, dizendo-lhes: ‘Cuidem para não contar a ninguém sobre aquela voz enquanto eu estiver viva, queridas filhas.’”
Santa Clara de Assis