O relato deste milagre eucarístico remonta aos primeiros séculos do Cristianismo e encontra-se nos Apotegmas dos Padres do Deserto que viveram no deserto seguindo o exemplo de São Antão, Abade. Um monge tinha dúvidas sobre a Presença Real de Jesus no pão e no vinho consagrados na Missa. Após a consagração, o Menino Jesus foi visto no lugar do pão. Três monges companheiros presenciaram a mesma aparição.

Nos ditos e feitos dos Padres do Deserto, encontramos a descrição de um antigo milagre eucarístico. Padre Daniel, o Faranita, atesta: “Nosso Padre Arsênio nos contou sobre um monge do Scete que era um trabalhador árduo, mas carecia de instrução na Fé. Em sua ignorância, ele dizia: ‘O pão que recebemos não é realmente o Corpo de Cristo, mas é um símbolo desse Corpo.’ Dois dos monges veteranos ouviram sua afirmação e, conscientes de que ele era um bom monge piedoso, decidiram falar com ele, já que atribuíam suas palavras à ignorância e não à malícia. Assim, lhe informaram: ‘O que você está dizendo contraria a nossa Fé.’ O acusado respondeu: ‘A menos que vocês possam me mostrar provas, não mudarei de ideia.’ Os monges mais velhos disseram-lhe: ‘Vamos orar a Deus sobre este mistério e acreditamos que Deus nos mostrará a verdade.’

Uma semana depois, no domingo, todos foram à igreja. Na consagração, em lugar do pão, um menino foi visto. Quando o sacerdote levantou o pão, um anjo apareceu com uma espada e transpassou o menino; quando o sacerdote quebrou o pão, sangue correu para o cálice. Na Comunhão, o anjo tomou partículas ensanguentadas do menino e as levou aos monges para receberem. Ao ver isso, o duvidoso exclamou ‘Senhor, acredito que o pão é teu corpo e teu sangue está no cálice.’ Imediatamente, a carne ensanguentada que ele tinha em suas mãos tornou-se pão, e ele comungou com reverência.”

Scete